GOMIL
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GOMIL

Aguamanil [ES]
Ewer [EN]
Aiguière [FR]
Aguamanile [DE]
水差し [JP]
Artes Decorativas e aplicadas
Real Fábrica da Bica do Sapato
- Produtor (atrib.)

Descrição:
Gomil em faiança. Objeto de toilette. Produção portuguesa, não marcada, atribuível à Real Fábrica da Bica do Sapato, do final do século XVIII (c. 1796-1800).

Faiança moldada, com esmalte estanífero branco ligeiramente anilado, decorado com pintura policroma aplicada à mão. Apresenta forma de elmo invertido, com corpo marcado por gomos verticais moldados. O bojo arredondado prolonga-se num colo alto, rematado por bico projetado e contra-curvado. O pé, igualmente gomeado, abre-se ligeiramente para o exterior. A asa, elevada e em voluta, integra-se de forma funcional e harmoniosa no conjunto. A decoração policroma combina azul, amarelo-laranja, verde e cor de vinho. Na frente observa-se uma paisagem estilizada composta por rochedos e elementos vegetalistas simplificados, sugerindo influência orientalizante em sentido amplo, frequente nos repertórios decorativos da faiança portuguesa da época. Motivos vegetalistas adicionais distribuem-se pelo corpo, enquanto um friso contínuo de pequenas flores percorre o bordo superior e se repete na base, garantindo unidade e continuidade decorativa.

Este tipo de peça destinava‑se a verter água para lavagens das mãos e da face, geralmente em conjunto com uma bacia. Inseria-se no quotidiano doméstico, bem como em ambientes de receção, onde desempenhava um papel funcional e simbólico associado às práticas de higiene e sociabilidade, sendo frequente a sua colocação sobre tremós e cómodas, nomeadamente em quartos e salas de aparato. O bico estreito permitia controlar o jato de água, enquanto a asa elevada facilitava o manuseamento. A sua forma inspira-se em modelos neoclássicos e aproxima-se dos gomis metálicos contemporâneos, especialmente os da ourivesaria portuguesa, evidenciando a circulação de soluções formais entre diferentes materiais e práticas artesanais no final do século XVIII.

A título de hipótese de proveniência, sugere-se que esta peça poderá ter pertencido à coleção do 1.º Conde do Ameal, João Maria Correia Aires de Campos (1847-1920), reunida na sua residência, o Colégio Universitário de São Tomás de Aquino (Ordem de São Domingos), em Coimbra, e posteriormente dispersa num leilão realizado em 1921. A informação provém do antiquário e colecionador Eduardo Rangel Pamplona Silvano (1924-1999), que, em 1986, a cedeu à Presidência do Governo dos Açores. A identificação é reforçada pela possível correspondência com o item n.º 1195 do catálogo desse leilão, descrito como: “Une aiguière en faïence portugaise, 18ème siècle, décoration polychrome en fleurs (Bica do Sapato). Haut. 0m,25.” (Um gomil em faiança portuguesa, decoração policroma com flores — Bica do Sapato. Alt. 0,25m). A vinculação à Real Fábrica da Bica do Sapato baseia-se nesta referência documental, permanecendo, contudo, como hipótese. Serão necessárias novas pesquisas e análises complementares — quer documentais, quer técnicas — que permitam esclarecer de forma definitiva a origem e a atribuição da peça.
PEDRO PASCOAL DE MELO (Janeiro, 2026)

Bibliografia consultada:
  • MUSEU Nacional do Azulejo. Real Fábrica de Louça. ao Rato [catálogo de exposição]. Lisboa: Museu Nacional do Azulejo, 2003.
  • PEREIRA, João Castel Branco (coord.). Cerâmica neoclássica em Portugal [catálogo de exposição]. Lisboa: Museu Nacional do Azulejo, 1997.
  • QUEIRÓS, José. Cerâmica portuguesa e outros estudos. Lisboa: Presença, 2002.
  • SANDÃO, Artur de. Faiança portuguesa: séculos XVIII-XIX, 2 vols. Lisboa: Civilização, 1988.
  • VENTE d'objects d'art. Collections Comte de Ameal. Catalogue descriptif. Lisboa: Empresa de Móveis, 1921.

Dimensões:
Totais : A. 25 x C. 20 x L. 11 cm
Nº de Inventário:
PGRA-PS0011
Data de produção:
1796-1800
Material e técnicas
Cerâmica (Faiança) -  Moldada, esmaltada e pintada
Incorporação:
Adquirido em 1986, durante a vigência do III Governo dos Açores (1984-1988), ao antiquário e colecionador Eduardo Rangel Pamplona Silvano (1924-1999). Integra desde então as coleções da Presidência do Governo dos Açores, estando em exposição no Palácio de Sant'Ana, em Ponta Delgada.

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